A REVOLTA DE JIRAU
24.03.2011

A explosão da revolta operária nos canteiros de Jirau, em Rondônia, que a sociedade brasileira acompanhou “estarrecida” no início da semana, vem comprovar o que todos já dizíamos com relação aos grandes empreendimentos na região amazônica: A natureza não suporta!

A natureza humana também não suportou. Essa massa iludida que serve de mão de obra semi escravizada, sendo explorada em faraônicas construções, não aguentou a pressão e explodiu em ato de protesto contra as condições de trabalho no canteiro de obras. Os trabalhadores funcionam como simples peões dentro desse jogo político que tem o objetivo de fincar a bandeira do progresso na Amazônia.

Aproveitamos a oportunidade para destacar que essa é a consequência do modelo de desenvolvimento que o Governo Brasileiro tem imposto para os povos amazônicos. Desrespeito, ilegalidade, destruição, desmatamento, essas são as marcas do compromisso do PAC com a Amazônia.

É com extrema preocupação que acompanhamos o caso dos grupos indígenas isolados em Rondônia. As hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau estão sendo construídas próximas aos territórios de quatro povos indígenas em situação de isolamento e risco.

Todos são prejudicados por essa politica desenvolvimentista. Além dos impactos ambientais de se barrar o Rio Madeira, o maior afluente do Rio Amazonas, a população rondoniense está enfrentando, em Porto Velho, o aumento alarmante do consumo de drogas, da prostituição e da violência.
Os números da tragédia não param de crescer, ocasionando um clima tenso na região.

As condicionantes que nunca foram cumpridas em Santo Antônio e Jirau são as mesmas que nunca serão em Belo Monte. A política do rolo compressor segue sua jornada, devorando os rios e tentando represar a Amazônia.

Manaus, 24 de março de 2011

Saudações indígenas
Coordenação da COIAB

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 

 

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