Índios sofrem com enchente no Rio Ceará
11.03.2011

Sexta, 11 de Março de 2011

Cerca de 50 famílias estão desabrigadas na Comunidade Tapeba 1 e 20 na Comunidade Tapeba 2

Por Souto Filho
soutofilho@oestadoce.com.br

Os problemas trazidos pelas chuvas não atingem apenas moradores comuns de áreas de risco. Outro grupo de pessoas também sofre com a cheia dos rios provocada pelas tempestades, que caíram no Ceará na última terça-feira e ontem. Desta vez, os prejudicados foram os índios Tapebas, localizados em Caucaia. Cerca de 50 famílias estão desabrigadas na Comunidade Tapeba 1 e 20 na Comunidade Tapeba 2. Todos eles foram alocados em escolas municipais e estão recebendo apoio da Defesa Civil e Prefeitura de Caucaia.

A situação dos indígenas, que moram às margens do Rio Ceará (Tapeba 2), é degradante. As casas foram invadidas pelas águas e os moradores tiveram que abandonar as residências ainda de madrugada. Ao todo, 24 pessoas foram acolhidas na Escola Joana Darc, sem poder voltar para casa. A pescadora tapeba Francineuda Pereira foi uma das que perderam o teto de casa e corre o risco de ter a residência derrubada.

“A madrugada foi horrível. A água começou a invadir o meu quintal e tive que ficar cuidando para que não entrasse na casa inteira”, ressaltou.
Segundo ela, a situação de perigo vem de muitos anos. Entretanto, a
pescadora revelou que não quer deixar o local porque o sustento da
família é retirado das águas do Rio Ceará.

“A única coisa que sabemos fazer é pescar. Não temos como morar longe do rio. É um sofrimento porque quando chove os nossos maridos ficam sem trabalhar devido a cheia do rio”, disse ela. A vida da dona de casa Esmeraldina Gomes, casada com índio, também é afetada com as chuvas. Ela e seus quatro filhos estão abrigados na escola e não sabem quando voltarão para casa.

“O pior é que não temos para onde ir. Não vivemos em área de risco
porque queremos. Quando a chuva começou, não pude sair porque tinha que salvar o que tínhamos dentro de casa. A água ainda carregou uma parede.
Não temos nem onde cozinhar porque usamos forno à lenha e a madeira está toda molhada”, emendou ela.

ABRIGADOS NA ESCOLA

A coordenadora da instituição de ensino, Sônia Silva, ressaltou que a
precariedade toma conta da comunidade e muitas famílias sofrem com a falta de estrutura. “Infelizmente, aqui, os índios vivem de forma muito ruim. Sempre que chove, muitas famílias têm que deixar as casas e passam dias contando os prejuízos. As casas ficam sem os telhados e algumas perdem paredes e móveis. Cerca de 20 casas foram atingidas nesta última chuva e tentamos nos virar para dar assistência aos desabrigados”,
lamentou.

De acordo com a coordenadora, ontem uma equipe da Defesa Civil de Caucaia esteve no local e forneceu colchões, lençóis e travesseiros para os desabrigados. Sonia disse ainda que os técnicos do órgão prometeram retornar ao local trazendo mantimentos e ingredientes para fazer sopão para os acolhidos na escola. “Graças a Deus ninguém ficou doente ainda.
Isso porque o Posto de Saúde daqui está muito bem municiado com medicamentos”.

DEFESA CIVIL MONITORA

Médicos e assistentes sociais também compareceram ao local. De acordo com o coordenador da Defesa Civil de Caucaia, Gilberto Forte, o órgão está monitorando os locais diariamente e todo o material necessário para que os índios voltem para casa serão fornecidos. Ele explicou que na Comunidade Tapeba 1, as 50 famílias desabrigadas estão recebendo assistência na Escola Municipal Antônio de Miranda.

Segundo o coordenador, as duas áreas são criticas no que diz respeita às enchentes. Entretanto, ele ressaltou que muitas famílias se recusam a deixar os locais devido a proximidade com as margens do Rio Ceará. “Eles moram à beira de uma área de mangue. Vivem da pesca e da captura de caranguejo. Mas estamos fazendo o possível para que a situação seja amenizada”, salientou Gilberto, dizendo que a Guarda Municipal de Caucaia disponibilizou quatro agentes para fazerem a segurança e a organização dos dois locais atingidos.

 
 

 

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