Carta sobre a Situação dos Indígenas nos Vales do Jequitinhonha e Mucuri
28/01/2011

As organizações sociais abaixo assinadas após a construção/participação no I Seminário de Agroecologia e as Realidades dos Vales, realizado na Escola Família Agroecológica em Araçuai - MG nos dias 13 e 14 de dezembro de 2010, onde estiveram presentes os povos indígenas dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, dentre eles os Pataxó Pankararu, Pataxó hãe hãe hãe e os Mocuriñ vêm por meio deste manifesto, elucidar a situação de espoliação do direito de fixação e uso da terra, bem como o descaso dos órgãos oficiais de apoio ao índio e a ausência manifesta de resposta dos mesmos. Vale ressaltar, que para os povos dos Vales a conquista do território não se resume apenas à conquista da terra, está imbricada ao acesso a tantos outros direitos, como saúde e educação diferenciada e o exercício de práticas agroecológicas que possibilitem o "viver soberano" das populações indígenas.

Pataxó Pankararu: Foi adquirida uma área (via Programa de Crédito Fundiário) de 68 hectares em 2005, com uma produção não suficiente para o pagamento da dívida. Os Pataxó Pankararu da Aldeia Cinta Vermelha Jundiba de Araçuai reivindicam a quitação da dívida e a ampliação territorial com a aquisição das Fazendas Cristal e Pouso Alegre. Projeto já encaminhado a FUNAI.

Pataxó hã-hã-hãe: O povo Pataxó hã-hã-hãe encontra-se há anos
desterritorializado. Foram expulsos de seu território na Bahia em 1941 pelo Serviço de Proteção ao Índio - SPI. Atualmente vivem, entorno de 82 pessoas (entre elas crianças, adolescentes e idosos com até 105 anos) na periferia de Bertópolis, onde continuam lutando por seu território, sendo que a terra é uma das ferramentas de resgate, revalorização e reconstrução da cultura e modo de vida.

Mocuriñ: O povo Mocuriñ reivindica o reconhecimento étnico a nível federal, até agora esse reconhecimento só foi alcançado estadualmente.
Vivem hoje na zona rural de Campanário, numa área de 16 hectares (90% do território preservado), onde residem 9 famílias. O território é insuficiente para as famílias Mocuriñ, sendo que a maioria delas hoje vive na cidade. Diante disso, reivindica-se a ampliação territorial por meio da aquisição de uma fazenda vizinha, penhorada no Banco do Brasil.
Projeto já encaminhado a FUNAI.

Assinam,

Associação Indígena Pataxó Pankararu - AIPPA

Grupo Aranã de Agroecologia

Escola Família Agroecológica de Araçuai

Associação de moradores e Amigos de Itinga - Amai

Coletivo de mulheres Retalhos de Fulô

MMM Visão Mundial

PDA Ponto dos Volantes e PDA Araçuai

Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica CAV

Associação Mineira das Escolas Família Agrícola - AMEFA

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST

Grupo JEQUI - Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri

Grupo de Estudos dos povos indígenas de Minas Gerais - GEPIMG/UFVJM

Grupo de extensão e pesquisa da agricultura Familiar - GEPAF/UFVJM

Cáritas diocesana do Baixo e Médio Jequitinhonha

Associação Regional Mucuri de cooperação aos pequenos agricultores - ARMICOPA

Associação de mulheres quitandeiras de Diamantina/Bairro Gruta de Lourdes - Grupo Mulheres Reais

Grupo de mulheres artesãs de Diamantina/Bairro Cidade Nova - Grupo Mulheres em ação


Fonte: mensagem de Geralda Soares


 

 

 

 

 
 

 

Voltar

- Copyright 2010- ANAI - Todos os direitos reservados - webmaster@anai.org.br -
Rua das Laranjeiras, n° 26, 1° andar, Pelourinho- CEP: 40026-700
Salvador - Bahia - Brasil
Tel. Fax: 0**71 3321.0259 - Email: anai@anai.org.br
- VONO: 71. 4062.9029 -