Festa da Puxada do Mastro foi realizada ontem em Olivença
A TARDE-BA Editoria: BAHIA Assunto: INDÍGENA
Fonte: CAMILA OLIVEIRA Olivença, 10.01.2011


A festa começou cedo ontem em Olivença (460 km de Salvador). Antes mesmo do galo cantar a Paróquia de São Sebastião estava cheia de fiéis para celebrar a missa homenageando o padroeiro da Associação dos Machadeiros.
Desde a última sexta-feira, centenas de pessoas, entre moradores, turistas e índios tupinambás festejam a tradição da Puxada do Mastro de
São Sebastião. "Este ano tivemos o desfile dos machadeiros, dascamponesas e o ritual indígena Poranci, nas principais ruas da cidade. Hoje (ontem), a gente vemcedo, derruba o mastro e levamos para a Praça da Paróquia, cumprindo nossa promessa", disse Wilton Bezerra, o Ica, um dos organizadores do evento, do qual participa desde os 5 anos, levado pelo pai. "Hoje tenho 44 anos e trago meus filhos, de 10 e 12 anos,porquea tradição temquesemanterassim,passando de pai para filho".
Festa secular De acordo com o historiador Erlon Costa, doutor em história social, a Puxada do Mastro é uma festa secular. Começou com um ritual indígena e, com a chegada dos jesuítas, no século XVI. foi incorporado o cunho religioso, segundo o qual São Sebastião teria curado os índios deuma peste e, como pagamento da promessa, todo ano eles derrubam o maior mastro da reserva e levampara suspender na frente da paróquia. Os foliões, após derrubaremo mastro, percorremtrês quilômetros atéchegaràigreja. No caminho muitas cantigas e preces. "A Igreja Católica, apesar de não ter nenhum vínculo oficial com a realização do evento, vemtodo ano dar apoio, pois é uma tradição que homenageia São Sebastião", disse o padre Ademir Lima. Para Cláudio Magalhães, membro do Conselho Estadual Indígena, a tradição tem sofrido modificações.
"Antigamente, as famílias se diferenciavampelas cores das camisas e bandeiras. Hoje a festa está mais popular, aberta e, por isso, essa tradição foi perdida. Outroproblemaéqueas lideranças indígenas não podem vir fazer o ritual deles porque não há segurança". 3 quilômetros são percorridos pelos foliões até chegar à igreja. O percurso é feito ao som de cantigas e preces, após a derrubada do mastro A festa secular começou com ritual indígena e foi alterado pela chegada dos jesuítas São Sebastião teria curado os índios de uma peste e o ritual surgiu como
promessa.

LIDERANÇAS INDÍGENAS FICAM FORA DA FESTA

Problemas com a demarcação de terras impedem que as lideranças indígenas da região apresentem seus rituais nos festejos, devido à falta de segurança.

 
 

 

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